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  • 2012-01-01 | Human Resources

    "Soubemos sonhar alto"


    Luís Paulo Salvado é o presidente da Comissão Executiva da Novabase - empresa que em 22 anos se tornou líder portuguesa em Tecnologias de Informação, e cresce 35% por ano.

    Espalhada em 34 países, a Novabase tem escritórios abertos em Portugal, Espanha, Alemanha, França, Médio Oriente e Angola, e conta com 2 mil colaboradores de cerca de 20 países. «Gerir um negócio como o nosso, em que o principal activo é o know-how dos colaboradores, numa diversidade tão grande de países e continentes, é um desafio permanente», sublinha Luís Paulo Salvado.

    Este ano, a empresa prepara-se para reforçar a aposta no negócio internacional e consolidar a posição de liderança em Portugal. Os resultados acumulados a Setembro de 2011 revelaram que a actividade internacional cresceu 44%, representando já cerca de 19% do negócio total, acima da meta de 18% inicialmente projectada. Já em termos globais, incluindo o negócio realizado em Portugal, estão 4% abaixo do ano anterior. Mesmo assim, os

    resultados nem sempre foram bons, em 2002 com o crash tecnológico o trabalho ficou reduzido a metade. Luís Paulo Salvado, na altura responsável máximo pela Novabase Consulting, conta que «foi dramático. Tivemos que lidar rapidamente com a situação e tomar decisões muito difíceis. Aproveitámos a oportunidade e fizemos uma reestruturação profunda o que se veio a revelar a decisão acertada pois, nos anos seguintes, crescemos bem acima do mercado». A área que mais o fascina é a da gestão de Pessoas. «É uma área de descoberta permanente, onde quanto mais investimos mais queremos investir. Acredito que podemos transformar qualquer organização, levá-la a concretizar os objectivos mais ambiciosos. Mas para o conseguirmos temos de saber aproveitar o imenso potencial que está fechado, escondido nas Pessoas e sobretudo nas Equipas. Esse deverá ser o principal papel dos líderes», avança.

  • Em conversa com a HR Portugal, Luís Paulo Salvado partilha o que tornou a Novabase líder de mercado, a sua carreira, os maus momentos e o que o fez chegar ao topo, entre vários outros temas.

    - A Novabase é líder portuguesa em Tecnologias de Informação e cresce 35%, em média, por ano. O que fazem de diferente?  

    - Acredito que a nossa determinação e convicção de que um dia iríamos liderar o mercado foram fundamentais. Soubemos sonhar alto, mas fizemo-lo acordados e com os pés bem assentes no chão. Para concretizarmos a visão de então, construirmos uma cultura de grande pragmatismo e adaptabilidade, aprendemos que a gestão é sobretudo contingencial, não há receitas milagrosas.

    - Presente em 34 países, quais os desafios de uma gestão global? 

    - Gerir um negócio como o nosso, em que o principal activo é o know-how dos colaboradores, numa diversidade tão grande de países e continentes, é um desafio permanente. É necessário uma cultura forte e, em cada local, uma percepção clara dos nossos diferenciais. Por isso, em 2010 realizámos um trabalho de consolidação dos nossos valores organizacionais. E, para termos uma referência inspiradora que sirva de diferenciação comum das nossas soluções, definimos uma nova visão para a empresa: tornar a vida dos clientes e das pessoas mais simples e mais feliz.

    - A felicidade é um dos mantras da Novabase. 

    - A felicidade é um assunto muito pessoal e por isso não acreditamos em receitas empresariais para esta questão. O que é importante aqui é a atitude, é a valorização que as empresas podem atribuir à felicidade dos colaboradores. A nossa nova visão é disso um exemplo. Quando dizemos que queremos tornar a vida mais simples e mais feliz aos nossos clientes, é óbvio que não podemos deixar de fora a felicidade dos nossos colaboradores. Mas achamos que deve ser cada um por si a perseguir esse desígnio, tendo a empresa a responsabilidade de criar as condições para que isso possa acontecer. Uma dessas condições é expressa num dos nossos valores: o "eu ligo" que revela o nosso compromisso com os outros, o seu talento e a sua felicidade. Queremos um mundo de pessoas inteiras, em que cada dia que vamos trabalhar não deixamos em casa o lado que gosta de cinema, de cozinhar ou de tocar

  • saxofone. Tudo isto contribui para a tal construção da felicidade de cada um.

    - Em 2010, alcançou um volume de negócios de 236 M€, 15% gerados fora de Portugal. Quais os valores actuais? 

    - Os resultados acumulados a Setembro 2011 revelam que a actividade internacional cresceu 44%, representando já cerca de 19% do negócio total, acima da meta de 18% inicialmente projectada. Contudo e em termos globais, incluindo o negócio realizado em Portugal, estamos 4% abaixo do ano passado.

    - Tencionam conquistar "mais mundo"?

    - Neste momento esse é um dos nossos principais
    objectivos. Mas queremos fazê-lo de forma sustentada e progressiva. Isso significa que esta caminhada tem que ser feita com cuidado e muita preparação. Temos duas estratégias de internacionalização: por toco geográfico e por oferta. Há países, como Espanha e Angola, onde queremos ter uma presença continuada e onde nos focaremos em conquistar quota de mercado. Já na internacionalização por oferta estaremos onde existirem oportunidades. É o caso das soluções de digital TV, onde trabalhamos em muitas regiões, desde a América Latina, passando pela Europa e Ásia (China e Índia).

    - No seu percurso profissional já passou por diversas áreas. Qual a área em que tem mais gosto trabalhar?

    - Todas as áreas são interessantes e aprendemos coisas

    diferentes e complementares em cada uma delas. Tive a felicidade de ter trabalho em várias áreas, e acredito que isso hoje é uma mais-valia na função em que estou. A área que mais me fascina é a área das pessoas, da gestão de pessoas. Tenho um enorme interesse, quer teórico quer prático, por todos os temas relacionados com o desenvolvimento do talento. É uma área de descoberta permanente, onde quanto mais investimos mais queremos investir. Acredito que podemos transformar qualquer organização, levá-la a concretizar os objectivos mais ambiciosos. Mas para o conseguirmos temos de saber aproveitar o imenso potencial que está fechado, escondido nas pessoas e sobretudo nas equipas. Esse sim deverá ser o principal papel dos líderes.

    - Hoje diz fazer o que mais gosta: "gerir a empresa que

  • ajudou a crescer". Que características o fizeram chegar ao topo?

    - Na vida as coisas importantes dão-nos sempre muito trabalho a conquistar. No meu caso, adoptei desde muito cedo uma disciplina ética e de trabalho. Sempre acreditei na integridade, na paixão com que nos devemos dedicar ao trabalho, em sermos muito determinados, exigentes e nas virtudes da paciência. Gosto de dizer que integridade é fazermos o que está certo, sobretudo quando ninguém está a ver. Acredito também que quando trabalhamos para concretizar os nossos sonhos conseguimos dar o nosso melhor, e que isso muitas vezes faz a diferença. É claro que aparecem sempre dificuldades imprevistas, muitas vezes nas piores alturas. E, por isso, é importante sermos determinados a lidar com a adversidade, conseguirmos auto
    -motivar-nos para a ultrapassar. Como dizia Randy Pausch os "muros da vida" estão lá para isto mesmo: separar os que têm vontade para os saltar de todos os outros. Saber esperar e ser paciente são também qualidades que muito respeito e valorizo. Finalmente, existe algo que é o mais importante: ter uma vontade permanente para aprender e evoluir.

    - Se pudesse iniciar a vida profissional, escolheria o mesmo caminho?

    - É fácil olharmos para trás e questionarmos os nossos passos. Com a informação e experiência que tenho hoje poderia ter feito algumas coisas diferentes, mas, no essencial, as opções teriam sido as mesmas. Gostei muito da fase profissional onde fui sobretudo um técnico, mas

    depois apaixonei-me pelo desafio da gestão. Agora ando a aprender a pensar também como um designer.

    - Com todas estas evoluções, há dificuldade de olhar para os maus momentos? 

    - Já vivi maus momentos e acredito que aprendi muito com eles. Uma das alturas mais difíceis ocorreu no início de 2002 com o rebentamento da bolha tecnológica. Ficámos, de um momento para o outro, com o trabalho reduzido a quase metade, o que foi dramático. Tivemos que lidar rapidamente com a situação e tomar decisões muito difíceis. Aproveitámos a oportunidade e fizemos uma reestruturação profunda o que se veio a revelar a decisão acertada pois, nos anos seguintes, crescemos bem acima do mercado. Outra fase difícil foi num dos primeiros trabalhos que tive

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